SEGUNDA ONDA DE CORONAVÍRUS: PAÍSES DA EUROPA LEVAM ‘ADVERTÊNCIA’ DA OMS E PLANEJAM NOVAS QUARENTENAS

Em meio ao aumento no número de casos de covid-19, países europeus receberam uma advertência da Organização Mundial de Saúde (OMS) e já começam a discutir novas quarentenas frente ao temor de uma possível segunda onda da doença.

Segundo Hans Kluge, diretor regional da OMS para a Europa, o número de novos casos dobrou em mais da metade dos Estados-membros do bloco.

Falando de Copenhague, na Dinamarca, na quinta-feira (17/09), ele disse que 300 mil novas infecções foram registradas em toda a Europa somente na semana passada e que os casos semanais excederam os relatados durante o primeiro pico em março.

Em sua visão, isso deveria servir de “alerta para todos nós”.

“Temos uma situação muito séria diante de nós”, afirmou Kluge.

Ao redor do mundo, cerca de 30 milhões de casos de covid-19 foram confirmados. Mais de 942 mil pessoas morreram.

“Embora esses números reflitam testagens mais abrangentes, eles também mostram taxas alarmantes de transmissão em toda a região”, disse ele a jornalistas.

As admissões e mortes em hospitais ainda não tiveram um aumento semelhante, embora a Espanha e a França estejam observando uma tendência de aumento.

Embora as pessoas mais jovens – que têm menos probabilidade de serem gravemente afetadas se forem infectadas – atualmente representem a maior proporção dos casos de covid registrados recentemente, há temores de muitos mais casos de doenças graves se o vírus se espalhar entre idosos e pessoas mais vulneráveis.

De acordo com a OMS, houve 5 milhões de casos confirmados e mais de 228 mil mortes em toda a Europa desde o início da pandemia.

‘Podemos lutar de novo’

Kluge acrescentou que as medidas de bloqueio introduzidas na primavera e no início do verão produziram resultados claros.

“Em junho, os casos atingiram o menor nível histórico”, disse ele. “Os números dos casos de setembro, no entanto, devem servir como um alerta para todos nós.”

Mas ele enfatizou que o conhecimento sobre as melhores maneiras de se conter o vírus melhorou desde que a pandemia se espalhou pela primeira vez na Europa.

“Já lutamos contra isso antes e podemos lutar de novo”, disse ele.

No início desta semana, Kluge alertou que a Europa deve se preparar para um aumento no número de mortes por covid em outubro e novembro, alertando: “Vai ficar mais difícil.”

Qual é a situação na Europa?

No Reino Unido, o número de novos casos diários atingiu o nível mais alto desde meados de maio.

Na sexta-feira, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, disse que o Reino Unido está passando por uma “segunda onda de infecções”.

Johnson disse que não “queria adotar medidas mais severas de confinamento”, mas que restrições mais rígidas ao distanciamento social podem ser necessárias.

Novas regras foram impostas para limitar aglomerações sociais e outras restrições locais para partes do nordeste da Inglaterra foram anunciadas na quinta-feira.

A França, por sua vez, registrou 10.593 casos na quinta-feira – o maior número diário desde o início da pandemia.

O ministro da Saúde, Olivier Véran, reconheceu que o coronavírus “está novamente muito ativo”; Lyon e Nice, duas das maiores cidades da França, receberam um prazo até sábado para propor novas medidas para enfrentar os surtos.

Véran e o primeiro-ministro Jean Castex estão entre os vários ministros que enfrentam ações judiciais devido à forma como lidaram com a crise.

Casos de covid-19 em países europeus

E outros países estão registrando novos picos da doença:

– A Espanha registrou na quarta-feira 239 novas mortes, o maior número desde junho. Muitas das novas infecções do país ocorreram na capital Madri, onde as autoridades planejam anunciar novas medidas de confinamento.

– A República Tcheca registrou mais de 2 mil casos diários pela primeira vez. O primeiro-ministro do país pediu às pessoas que sigam as regras para evitar um aumento exponencial das infecções.

– Os casos também atingiram um novo pico diário na Holanda. Nesta sexta-feira, o governo anunciou que bares e cafés nas regiões mais densamente povoadas do país terão que fechar suas portas mais cedo, às 1h, a partir de domingo. Além disso, aglomerações com mais de 50 pessoas vão precisar solicitar permissão de autoridades locais. As novas restrições afetam seis regiões, incluindo a capital Amsterdã e outras cidades grandes, como Utrecht, Haia e Roterdã.

Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-54202548

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