PRESIDENTE DA APM FALA DA SAÍDA DE MANDETTA

Queda de Mandetta vai agravar situação do Brasil na crise?

A edição de 17/04/2020 do podcast Estadão Notícias analisa os impactos da troca de ministro da Saúde para a área e para o combate à Covid-19, com a participação do presidente da Associação Paulista de Medicina, José Luiz Gomes do Amaral.

Afinal, qual a perda para o setor da Saúde com a saída de Mandetta e seus auxiliares do Ministério da Saúde? Por ter apoio da classe médica, a vinda de Teich é menos traumática neste momento?

A gente conversa sobre isso com o Presidente da Associação Paulista de Medicina, que nos atende agora, José Luiz Gomes do Amaral. Tudo bem, doutor? Obrigado por nos atender.
Muito bem, muito boa tarde, como vão?

Doutor, queria uma avaliação do senhor, o quanto compromete os esforços e estratégias no combate à pandemia do coronavírus no Brasil uma troca do ministro da Saúde neste momento em que a curva tem subido, de mortos e casos, visto que ele também não sairá sozinho, também alguns importantes secretários ali ao seu lado também sairão neste momento. O quanto compromete? Qual o prejuízo, doutor?
Preocupa demais, preocupa até porque nós não sabemos quais serão as consequências que advirão desta mudança. O ministro Luiz Henrique Mandetta vinha conduzindo de uma maneira muito adequada essa situação. Nós estamos de frente a um desastre de saúde, é o maior desastre dessa nossa geração. Mas o que nós vimos, foi uma condução firme, uma condução adequada, uma condução alinhada às melhores evidências científicas. O ministro Mandetta conseguiu montar uma equipe, você mencionou bem, uma equipe extraordinária, com pessoas muito qualificadas, muito empenhadas, nós que nesse período de isolamento temos tido a oportunidade de assistir praticamente todas as manifestações, as entrevistas, temos tido a melhor impressão. Sabendo que nós estamos aqui, dentro de um avião, no meio de uma tempestade, mas sabendo que o piloto é qualificado e que toda a tripulação está se comportando adequadamente, nós realmente ficamos inseguros face a uma mudança de um piloto que dirigia bem em condições tão adversas.

Doutor, a maior preocupação, o maior risco, são medidas, como por exemplo, como em relação à garantia de um isolamento social ou de um relaxamento do isolamento social no País. Isso, por exemplo, seria um grave prejuízo caso o novo ministro sinalize nessa direção, já que é o desejo do presidente Jair Bolsonaro?
O que todos nós esperamos, é primeiro que o presidente dê um voto de confiança para o novo ministro, acho que isso é absolutamente fundamental. A questão do isolamento, o isolamento ele vai ser flexibilizado, ele não vai ser flexibilizado. Todos nós temos a absoluta certeza, e o ministro Mandetta também sinalizou nessa direção, ele será flexibilizado com certeza, quando e de que forma é que são elas, é isso o que nós temos que discutir. Nós não vamos ficar um ano inteiro em isolamento ampliado, nós vamos precisar flexibilizar isso, essa flexibilização tem que ser feita em, provavelmente, alguns momentos, em outros momentos nós vamos ter que voltar ao isolamento ampliado. É necessário fazer muitas tentativas aqui.

O médico oncologista Nelson Teich vai assumir o Ministério da Saúde. O que o senhor pode dizer em relação ao perfil desse médico assumindo o comendo do Ministério da Saúde?
Eu não o conheço pessoalmente, não pude acompanhar a trajetória profissional dele. Eu imediatamente liguei para amigos da mesma especialidade dele, lá do Rio de Janeiro, que o conhecem bem. As referências que eu ouvi sobre ele foram as melhores possíveis. Eu vou simplesmente repetir algumas das frases de pessoas da minha proximidade e de toda a confiança que se referiram a ele como uma pessoa íntegra, uma pessoa séria, um médico muito qualificado do ponto de vista técnico e científico, com uma boa formação na especialidade dele, que tem uma capacidade de liderança mito grande. Muito discreto, ele trabalha muito em silêncio, mas trabalha muito e trabalha bem.

Na visão do senhor, o que ele deve priorizar, gestão da questão das UTIs ou isso é mais relacionado aos governos, ou por exemplo, garantir testagem em massa. Qual é o principal gargalo agora no Brasil no combate ao coronavírus, doutor?
O Ministério tem se ocupado do macro, tem se ocupado da coordenação das ações. As realidades em cada cidade são completamente diferentes. Há cidades onde o problema ainda nem chegou, e há outras cidades onde o problema está em ebulição, São Paulo, por exemplo, Rio de Janeiro, por exemplo. Testes são absolutamente essenciais, quer dizer, você saber quais são os que estão realmente doentes, quais são os que estão contagiantes, quais são os imunizados, testar os profissionais de saúde, testar as pessoas em risco. E temos um outro lado, que acho que nós não podemos esquecer de forma nenhuma, é que as pessoas continuam adoecendo e que o Covid não é uma vacina contra todas as outras doenças. As outras doenças continuam acontecendo e nós acabamos deslocando a nossa atenção e toda a nossa capacidade de assistência para esse desastre, então nós temos tantos hospitais que não mais estão atendendo as intervenções de rotina, elas precisam voltar a acontecer.

Muito bem, ouvimos o doutor José Luiz Gomes do Amaral, Presidente da Associação Paulista de Medicina, gentilmente atendendo aqui a nossa reportagem. Doutor, muito obrigado, mais uma vez. Um abraço para o senhor.
Muitíssimo obrigado, um abraço.

fonte: http://associacaopaulistamedicina.org.br/noticia/presidente-da-apm-fala-sobre-a-troca-de-ministro-da-saude-em-podcast-do-estadao

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