PEDIATRAS DIZEM QUE É PRECISO FAZER TESTES DE VACINA PARA COVID-19 EM CRIANÇAS

Um grupo de especialistas em doenças infecciosas pediátricas dos Estados Unidos está pedindo que sejam feitos testes de vacinas para crianças. O país já registrou mais 200 mil mortes causadas pela Covid-19.

Existem três testes de vacinas em grande escala para adultos nos Estados Unidos, mas nenhum começou a ser feito para crianças, que estão “presas no ponto morto”, como compararam oito médicos em um comentário publicado na sexta-feira (18) na revista médica Clinical Infectious Diseases.

“O fato é que mesmo que tudo esteja acontecendo a uma velocidade sem precedentes para adultos e idosos em relação às vacinas da Covid-19, ainda não avançamos para iniciar os ensaios pediátricos”, afirmou o doutor Buddy Creech, especialista em doenças infecciosas pediátricas da Universidade Vanderbilt e um dos autores do comentário.

“Fazemos um apelo para dizer que, em vez de primeiro esperar para ver se temos uma vacina eficaz para adultos, precisamos começar o trabalho de pelo menos avaliar as vacinas em adolescentes e idades cada vez menores, para que possamos ter uma noção da dosagem, o esquema de aplicação de doses e a eficácia potencial desse tipo de vacina”, disse Creech.

A Pfizer, que está na última fase de testes para sua vacina, está “trabalhando ativamente com os órgãos reguladores em um possível plano de estudo pediátrico”, segundo um porta-voz da empresa disse à CNN.

Moderna, outra empresa cuja vacina está ensaios de Fase 3 nos Estados Unidos, planeja iniciar testes pediátricos “em um futuro próximo, sujeito à aprovação regulatória”, conforme escreveu um porta-voz em um comunicado à CNN

Até agora, mais de 6,89 milhões de norte-americanos foram infectados desde o início da pandemia e pelo menos 200.710 morreram, de acordo com a Universidade Johns Hopkins.

FDA e a vacina após as eleições
A FDA, agência reguladora de alimentos e medicamentos dos EUA, está considerando novas regras para autorização de emergência de uma vacina para Covid-19 que empurraria a autorização para além do dia da eleição. O fato foi checado com três fontes familiarizadas com a situação.

As fontes descreveram dois cenários diferentes que a FDA está avaliando antes que uma empresa farmacêutica possa receber uma autorização de uso de emergência para sua vacina.

“De qualquer forma, o mais cedo possível será o dia de Ação de Graças (26 de novembro) para obtenção de autorização de uso de emergência por uma empresa”, confirmou a primeira fonte.

Uma fonte disse que se espera que a FDA exija que, antes de pedir a autorização, os fabricantes de vacinas esperem dois meses após dar a segunda dose da vacina a todos os participantes dos testes em Fase 3.

Uma segunda fonte, um funcionário sênior do governo, disse que a agência deve exigir que as empresas esperem 60 dias após dar a segunda dose para metade de seus participantes do teste antes que a vacina possa ser autorizada.

A medida visa monitorar a segurança da vacina, mesmo que os testes já tenham confirmado sua eficácia.

Segundo afirmou o doutor Ashish Jha ao Comitê Econômico Conjunto dos EUA na terça-feira (22), o país deve ter bons dados sobre a segurança e eficácia de uma vacina em novembro e uma vacina pode sair antes do final do ano.

Jha, que é reitor da escola de saúde pública da Universidade Brown, disse que tem sido “imensamente favorável” à Operação Warp Speed, que concentra os esforços da Casa Branca para acelerar a produção de vacinas e tratamentos para Covid-19.

“Acho que foi a coisa certa a fazer, porque, uma vez que tivermos as evidências de segurança e eficácia, não vamos querer esperar”.

Uma pesquisa recente da Kaiser Family Foundation descobriu que mais da metade dos entrevistados (54%) disse que não tomaria a vacina se ela estivesse disponível gratuitamente antes da eleição presidencial de 3 de novembro. Seguindo as tendências partidárias, 60% dos republicanos e 56% dos independentes disseram que não tomariam a vacina. Metade dos democratas disse que tomaria.

Fauci: país dividido atrapalha

A divisão atual do país está atrapalhando o envio de mensagens claras e consistentes quando se trata da Covid-19 nos EUA, segundo o doutor Anthony Fauci.

“Estamos em um estado de divisão na sociedade que leva à politização”, afirmou o maior especialista em doenças infecciosas do país na segunda-feira (21) no programa “The Daily Show with Trevor Noah”, do canal Comedy Central.

“É quase como se fosse um lado contra o outro”, disse Fauci.

O país está há meses lidando com a pandemia e várias medidas de segurança permanecem como pontos de discórdia – incluindo o uso de máscaras faciais. Embora muitos em todo o país tenham adotado as recomendações de usar coberturas faciais para se proteger contra a propagação do vírus, outros protestam contra seu uso.

“As pessoas tomam partido, usar máscara ou não virou uma declaração de posição política e isso é realmente lamentável, totalmente lamentável porque se trata de uma questão puramente de saúde pública. Não deve ser uma situação de uns contra os outros”, continuou Fauci.

Entretanto, mesmo os norte-americanos que desejam seguir as orientações de especialistas sobre a Covid-19 encontraram uma mensagem confusa esta semana. Os Centros para Controle e Prevenção de Doenças (CDCs) dos EUA atualizaram suas orientações dizendo que Covid-19 pode se espalhar pelo ar. No entanto, dias depois a mensagem foi revertida subitamente, voltando à orientação postada meses atrás – aquela que diz que acredita-se que o vírus se espalhe principalmente entre pessoas em contato próximo e “através de gotículas respiratórias produzidas quando uma pessoa infectada tosse, espirra ou fala”.

Vários estudos mostraram que o vírus pode se espalhar através de pequenas partículas no ar. 

“É extremamente confuso”, afirmou a doutora Leana Wen, analista médica da CNN e médica de emergência da Universidade George Washington. “E esse tipo de chicotada, de reversão abrupta de mensagem – especialmente sem uma explicação direta do CDC – cria confusão e infelizmente leva à falta de confiança no CDC em geral”.

Como a confusão pode contribuir para mais doenças

Com o outono chegando no hemisfério norte, os EUA estão caminhando para o que o diretor do CDC, o doutor Robert Redfield, previu como um dos “momentos mais difíceis” da saúde pública no país. Um especialista disse à CNN esta semana que os próximos meses podem resultar em um “outono apocalíptico”.

“Isso está acontecendo porque estamos forçando as escolas a reabrir em áreas de alta transmissão”, disse o doutor Peter Hotez, reitor da Escola Nacional de Medicina Tropical da Faculdade de Medicina Baylor. “Estamos forçando as faculdades a reabrir e não temos uma liderança nacional dizendo às pessoas para usarem máscaras e se distanciarem e fazerem tudo que precisamos”.

Os EUA podem ter outro surto de casos e esse aumento pode vir no início da temporada de gripe, o que as autoridades de saúde advertiram que pode complicar – e muito – o cenário. Pelo menos 24 estados estão relatando aumento em novos casos em comparação com a semana anterior, de acordo com dados da Universidade Johns Hopkins. Muitos deles no centro e no meio-oeste do país.

Por quê?

A doutora Jeanne Marrazzo, especialista em doenças infecciosas da Universidade do Alabama em Birmingham, diz que há vários fatores que podem estar contribuindo para o aumento dos números – incluindo o cansaço público das medidas vigentes numa pandemia.

“E a segunda coisa são as mensagens completamente contraditórias que estamos recebendo. Não é apenas a desinformação, mas também a confusão sobre como tudo se espalha”.

Mais de 4.000 alunos e funcionários infectados no Texas

Um aumento nos casos também ocorre depois que muitos alunos em todo o país voltaram às aulas, tanto em instituições de ensino fundamental e médio quanto em faculdades.

Faculdades e universidades em todos os 50 estados relataram novos casos da doença, levando os líderes locais a estabelecer novas medidas na esperança de controlar a propagação do vírus em regiões universitárias.

As infecções também aumentaram entre os alunos mais jovens e aqueles que estão ao redor deles.

No Texas, houve mais de 4.500 casos positivos de Covid-19 entre alunos e funcionários de escolas públicas desde o início do novo ano acadêmico, de acordo com dados da Texas Education Agency. Mais de 2.300 desses casos são de estudantes.

Na Flórida, o número de crianças e jovens menores de 18 anos que contraíram o vírus saltou 26% desde que muitas das escolas públicas do estado foram abertas.

Os especialistas ainda estão estudando o papel que as crianças  e adolescentes desempenham na transmissão do vírus, mas vários estudos mostraram que eles também são transmissores – frequentemente, tão transmissores quanto adultos.

E um relatório divulgado recentemente pelo CDC sugere que não só as crianças podem transmitir o vírus, como também fazê-lo mesmo quando apresentam sintomas leves ou nenhum sintoma.

Fonte:

https://www.cnnbrasil.com.br/saude/2020/09/23/pediatras-dizem-que-e-preciso-fazer-testes-de-vacina-para-covid-19-em-criancas

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

TOP