O CORONAVÍRUS FICA NO AR? NAS ROUPAS? NO CABELO?

O virus está no ar?
Embora um espirro ou tossida projetem gotículas de saliva contaminadas, elas quase imediatamente caem no chão. As que são pequenas o bastante para ficarem suspensas, no entanto, dificilmente entram em contato com você e sua roupa. Isso porque o ar não fica parado e as partículas projetadas são rapidamente diluídas na atmosfera. E mais: enquanto você se mexe, o ar ao seu redor se movimenta, afastando-as (questão de aerodinâmica) e a sobrevivência do vírus suspenso é em torno de meia hora. Se você está praticando o isolamento social e saindo pontualmente (incluindo passear com os cachorros e dar uma corridinha), lavar as mãos sempre que chegar em casa é o suficiente (e deve ser rotina!).

O virus está no meu cabelo?
Se alguém contaminado estiver na sua frente e espirrar ou tossir diretamente na sua direção, provavelmente não está só no seu cabelo – e o melhor a fazer é ir para casa tomar um banho. Mas não, suas madeixas não funcionam como ímãs para o vírus. Mesmo que alguém espirre atrás de você e, por acaso, algumas gotículas de saliva acabem na sua nuca, é baixíssima a chance de haver uma alta porcentagem de vírus vivos ali, de você passar a mão na área e imediatamente depois no rosto.

O vírus está nas minhas roupas e roupas de cama, mesa e banho?
Se você está preocupado em lavar a roupa e sacudir o vírus para todas as direções, fique tranquila: para isso ser um risco, a quantidade de vírus no tecido teria que ser enorme, muito maior do que você possivelmente estaria exposta ao ir ao mercado. Lavar as roupas normalmente com sabão apropriado é o que basta. 

O cenário muda se você estiver convivendo com uma pessoa doente em casa. Nessa situação, use luvar ao reunir as roupas e roupas de cama do doente e evite sacudi-las. Não tem problema em lavá-las com as roupas de outras pessoas, mas atente para usar a água na mais alta temperatura disponível. Passar as peças a ferro também reforça a higienização. Se puder deixar as peças em repouso por um ou mais dias antes de lavar, é melhor: estudos mostram que o vírus pode sobreviver por até 24 horas em fibras naturais e por até 72 horas em superfícies rígidas como metal e plástico. 

O vírus está na minha correspondência?
Se há uma possibilidade de você se contaminar por manusear uma encomenda, ela é tão baixa que é considerada teórica – principalmente ao falarmos de envelopes e caixas de papel e papelão, onde o vírus sobrevive por, no máximo, 24 horas. Claro, jogue fora as embalagens, envelopes e caixas assim que possível e lave as mãos após o contato. Se estiver muito insegura, deixe o pacote isolado em um canto por 24 horas antes de manuseá-lo.

O vírus está no meu sapato?
É impossível saber exatamente o que está na sola do nosso sapato: fezes, urina, pólen, substâncias químicas, todo tipo de sujeira pode se acumular ali. No entanto, não é grande o risco de você se contaminar com a Covid-19 por sapatos sujos – afinal, quantas vezes você passa suas mãos ou coloca o rosto perto do sapato? Por isso, aliás, que tentar desinfetar as solas com panos umedecidos não é uma boa ideia, pois você acaba colocando a sujeira em contato direto com suas mãos. Você pode lavar tênis e outros modelos feitos de tecido para ter mais tranqulidade ou, uma medida mais radical, abolir o uso de sapatos dentro de casa. Esse hábito é ótimo para manter maior higiene não só em situação de pandemia como ajuda também a manter um lar mais seguro para alérgicos e imunossuprimidos. 

O vírus está no meu celular?
Sejamos lógicos: o contágio indireto pelo novo coronavírus se dá, em grande parte, por tocar uma superfície contaminada com as mãos e, em seguida, tocar o rosto. O que está em constante contato com suas mãos e seu rosto? Isso mesmo, seu celular. Se limpar os aparelhos já era recomendado por questão de higiene, em tempos de pandemia a orientação é reforçada, pois o vírus pode sobreviver por até 72 horas em superfícies rígidas e lisas. Encare limpar e desinfetar seu smartphone como uma extensão do ato de lavar as mãos.

O vírus está nas minhas compras do mercado?
Assim como em todas as superfícies, o depósito de partículas virais em embalagens de alimentos e demais itens comprados em mercados é possível, mas isso não significa que é necessário desinfetar todas as compras assim que chegar em casa – frutas, verduras e legumes devem ser higienizados como sempre. O mais importante é lavar as mãos depois de guardar as compras.

Abaixo, trazemos alguns boatos sobre a transmissão do novo coronavírus que foram explicados pela Organização Mundial da Saúde:

Usar luvas impede que eu me contamine
Mito: a luva até pode funcionar como uma barreira entre sua mão e um objeto contaminado, mas de nada adianta se você continuar tocando o rosto ou se não se desfizer da luva logo após o uso.

Se eu consigo prender a respiração por dez segundos ou mais significa que eu não tenho a Covid-19
Mito: os sintomas mais comuns da Covid-19 são tosse seca, cansaço e febre. Algumas pessoas podem desenvolver formas mais graves da doença, como pneumonia, mas conseguir segurar a respiração não implica estar saudável.

O novo coronavírus só pode ser transmitido no inverno ou em lugares mais frios e secos
Mito: não há evidências de que o novo coronavírus não se espalhe em climas quentes e úmidos. Independente do clima, é necessário seguir as medidas de isolamento social e higiene.

Eu posso pegar o novo coronavírus por picada de mosquito
Mito: até o momento, não há indícios de que a picada de mosquito poderia transmitir a Covid-19. A forma principal de contágio é por secreções de pessoas contaminadas, como saliva e coriza.

Pessoas jovens e crianças não ficam doentes
Mito: inicialmente acreditava-se que apenas pessoas idosas, imunossuprimidas e com histórico de outras doenças pegavam a Covid-19, mas já há casos documentados de jovens adultos, adolescentes e crianças com o novo coronavírus.

Uma “chuva” de álcool ou água sanitária é uma maneira eficaz de evitar o contágio
Mito: a melhor maneira de evitar o contágio é lavar as mãos com frequência. Se o vírus já estiver no organismo, não adianta lavar e desinfetar qualquer parte do corpo. O uso excessivo de álcool e água sanitária pode ainda ser perigoso para a pele e mucosas, além de danificar roupas.

Beber bebidas alcoólicas ajuda a desinfetar o organismo e matar o vírus
Mito: a ingestão de álcool não tem efeito sobre a contaminação do organismo e, quando em excesso, pode levar a problemas graves de saúde.

Tomar sol ou se expor a temperaturas superiores a 25ºC elimina o vírus
Mito: há casos em 210 países, dos hemisférios norte e sul, com climas dos mais diversos. A temperatura do ambiente (e isso inclui a água do banho) não influencia na contaminação pela Covid-19.

O isolamento social e a higiene pessoal são a melhor maneira de controlar o aumento de casos
Verdade: a Organização Mundial de Saúde recomenda o distanciamento social (manter no mínimo um metro de afastamento entre você e os outros) e isolamento social (ficar em casa ao máximo) desaceleram o processo de transmissão do vírus (o tal achatar a curva). Já manter a higiene, principalmente lavando as mãos com frequência, evitando tocar o rosto e cobrindo a boca quando espirramos e tossimos, minimiza a chance de contaminarmos não só os outros, como a nós mesmos. 

Fontes:
Como limpar os produtos Apple
Cleaning and Disinfection for Households
Survival of Severe Acute Respiratory Syndrome Coronavirus
Aerosol and Surface Stability of SARS-CoV-2 as Compared with SARS-CoV-1 
Aerosol and Surface Distribution of Severe Acute Respiratory Syndrome Coronavirus 2 in Hospital Wards, Wuhan, China, 2020
Coronavirus disease (COVID-19) advice for the public: Myth busters
Coronavirus disease (COVID-19) advice for the public
https://vogue.globo.com/atualidades/noticia/2020/04/o-coronavirus-fica-no-ar-e-nas-roupas-e-no-meu-cabelo-saiba-o-que-e-mito-ou-verdade.html

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