LIDERANÇAS DE TRÊS SETORES DEBATEM REABERTURA EM MEIO À PANDEMIA

Líderes de três setores da economia, Nabil Sahyoun, que é o presidente da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), Paulo Solmucc, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurante (Abrasel), e Arthur Fonseca Filho, diretor da Associação Brasileira de Escolas Particulares (Abepar), debateram nesta segunda-feira (18), em entrevista à CNN, a possibilidade de reabertura dos estabelecimentos em meio à pandemia da Covid-19. 

No estado de São Paulo, a quarentena foi prorrogada até o dia 31 de maio em razão do avanço nas mortes pelo novo coronavírus. Essa foi a segunda vez que o governo do estado prorrogou a medida de restrições à circulação de pessoas e abertura de estabelecimentos para prevenir o contágio da COVID-19. À CNN, o governador de São Paulo, João Doria, disse que não há perspectiva de lockdown, “mas não está fora do protocolo”.

Perguntados sobre se é hora de reabrir a economia, eles divergiram. Representando os lojistas de shopping, Sahyoun defendeu a reabertura imediata “levando em conta o respeito à saúde”. “O que a gente entende é que temos hoje mais de 4 mil municípios que estão fechados com todas as condições de poderem reabrir. Temos um sofrimento extraordinário de pequenos empresários e os hospitais estão com capacidade boa. A gente clama para que governadores flexibilizem os locais que possam funcionar”, avaliou.

Paulo Solmucc, da Abrasel, disse considerar que a reabertura deve ser avaliada com base em dados da curva de contaminação e a capacidade do sistema de saúde de cada região, mas que a decisão não deve ser de governadores. “Ao nosso ver, não caberia aos governadores a decisão de reabrir ou não. Aos governos estaduais e federal deveria caber os critérios. A partir disso, a decisão é do prefeito junto com a comunidade”, disse ele. 

Fonseca Filho, da Abepar classificou que o setor que ele representa não pode assumir nenhum risco. “No momento em que você abre a escola, a presença dos alunos passa a ser obrigatória. Só que isso, como acontece no restante do mundo, está condicionado a segurança total para receber essas crianças, então apesar do segmento estar sofrendo bastante, nós temos que esperar para reabrir as nossas instituições”, considerou. 

Questionados sobre se uma eventual reabertura pode gerar o efeito contrário com os consumidores e estudantes tendo maior receio nas atividades presenciais, os três apontaram as características de cada setor frente a essa possibilidade.

“Nós temos hoje 89 shoppings em funcionamento e, nesses locais, temos tido uma queda de 70% no faturamento em relação à época normal. A gente entende que, à medida que a população vai percebendo todos os procedimentos para proteger a vida das pessoas, que é uma questão de tempo para voltar à normalidade”, avaliou Sahyoun.

Solmucc defendeu que é preciso cautela. “Mesmo com toda a liberdade de operar, o consumidor vai voltando, aos poucos, com desconfiança. O que a gente precisa é passar tranquilidade nessa retomada, então é melhor abrir as portas, aos poucos, e complementar com delivery do que viver a situação de hoje, com um em cada cinco empresários que não conseguirá retomar as atividades”, afirmou. “Precisamos não só tomar todas as medidas de segurança, mas parecer seguro ao consumidor”.

Fonseca Filho disse ver que “não há com pensar em apressar qualquer coisa nesse sentido”. “Não temos a menor condição de reabrir sem obedecer um protocolo das escolas como um todo, inclusive das públicas”, considerou. “É preciso encontrar soluções para a sobrevivência do segmento, especialmente das escolas menores e mais simples”.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/business/2020/05/18/liderancas-de-tres-setores-debatem-reabertura-em-meio-a-pandemia

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