GRANDE SP TEM 89% DOS LEITOS DE UTI OCUPADOS E VAI COMEÇAR A TRANSFERIR PACIENTES PARA O INTERIOR

SÃO PAULO –  A Grande São Paulo já tem 89% dos leitos de UTI ocupados diante da crise do novo coronavírus e vai começar a transferir pacientes para o interior do Estado no final de semana. A informação foi dada pelo secretário estadual da Saúde, José Henrique Germann. No Estado, a taxa de ocupação dos leitos de UTI é de 69,3%. De acordo com o balanço, 1.744 pessoas estão em UTI.

“Trabalhamos com cenários. Vamos adicionar recursos, insumos e leitos novos. Agora, como houve defasagem de chegada de respiradores, vamos usar, por um tempo, essa transferência de pacientes para o interior”, disse Germann. “A transferência será da Grande São Paulo para o interior. Estamos falando de um interior muito próximo. Mas precisamos lançar mão disso, pelo menos por alguns dias”, completou.  

Em enfermaria, há 2.138 pacientes internados. Nesses leitos, a taxa de ocupação é de 73% na região metropolitana e de 48% no Estado.

Epicentro da doença no País, São Paulo tem 2.375 mortes pelo novo coronavírus, 128 registradas nas últimas 24 horas, um aumento de 6% em relação ao balanço de quarta-feira. O total de casos confirmados é de 28.698, um aumento de 10%. 

“Estamos em uma fase de aceleração da doença”, afirmou o diretor do Instituto Butantã, Dimas Tadeu Covas.

O Estado de São Paulo tem 2.500 profissionais de saúde afastados do trabalho por causa do novo coronavírus. 

O governo divulgou que a taxa de isolamento no Estado caiu e ficou em 47% nesta quarta-feira. O índice vem preocupando o governo, pois está abaixo da meta, que é de 60%. O ideal, para evitar o colapso do sistema de saúde, seria uma taxa de 70%. 

A gestão Doria estuda uma flexibilização na quarentena, mas o próprio governador, que não participou da coletiva desta quinta-feira, 30, já disse que a flexibilização não será possível se o índice se mantiver neste patamar. Doria tem feito teleconferências com prefeitos para discutir as medidas de flexibilização.

Nesta quinta, o secretário municipal de Saúde de São Paulo, Edson Aparecido, disse que a capital vai ampliar a quarentena de tomar medidas mais restritivas para conter a circulação do vírus. 

Reunião com Ministério da Saúde

De acordo com o chefe do Centro de Contigência da Covid-19, David Uip, aconteceu nesta quinta-feira uma reunião entre a Secretaria Estadual da Saúde e o Ministério da Saúde, com a presença do ministro Nelson Teich. Segundo Uip, o ministro defendeu a manutenção do isolamento social e também falou sobre a dificuldade da compra de insumos, principalmente de respiradores. 

Na reunião, o Estado de São Paulo demandou ao governo federal o credenciamento de mais 2.783 leitos de UTI específicos para tratamento de pacientes com covid-19. Até o momento, segundo Uip, foram habilitados 734 leitos. “A habilitação é imprescindível. Isso significa um repasse financeiro de R$ 292 milhões”, afirmou. 

O Estado também pediu 100 respiradores, para serem entregues em 15 dias. Esses respiradores devem ser destinados ao Hospital das Clínicas. O HC já tem 200 leitos de UTI para covid-19, deve ativar mais 100, mas precisa de outros 100. Uip afirmou ainda que requisitou 4 milhões de testes rápidos, além de 20 milhões de insumos, entre EPIs para leitos de UTI, máscaras N-95 e medicamentos emergenciais, entre eles a cloroquina. 

Germann listou os gastos com a epidemia no Estado. São Paulo já gastou R$ 480 milhões com o combate à covid-19, com recursos do Ministério da Saúde, e outros R$ 1,6 bilhão com recursos do Tesouro do Estado.

Questionados na entrevista sobre a fala do presidente Jair Bolsonaro, que na manhã desta quinta-feira, 30, acusou “governadores e prefeitos de não “achatarem a curva” de contágio da doença e questionou, em especial, os óbitos em São Paulo, Germann respondeu lendo uma nota oficial. O texto diz que “a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo lamenta a fala enviesada e irresponsável do Presidente da República Jair Bolsonaro, que ignora que o fato que o isolamento social em São Paulo é fator determinante para o achatamento da curva, e consequentemente diminuição no número de infectados e de doentes que precisam de UTI, evitando um colapso no sistema público de saúde.”

O texto diz também que: “ao contrário do que disse o Presidente, São Paulo publicou resolução em Diário Oficial que protege a sua população. Com o objetivo de fortalecer as medidas de segurança dos profissionais da saúde, pacientes e do serviço funerário, a Secretaria de Estado da Saúde definiu protocolos de prevenção que preveem que os profissionais das unidades de saúde possam emitir a Declaração de Óbito dos casos relacionados a covid-19. É fundamental esclarecer que o documento emitido nesses casos é um registro não confirmatório para covid-19 – a confirmação ocorre apenas se o teste comprovar a infecção pelo coronavírus, com diagnóstico por laboratórios já validados na rede de saúde.”  

Testes

Diante do avanço do novo coronavírus no Estado de São Paulo, a gestão Doria anunciou que a capacidade de testagem é de 5 mil amostras por dia.  São Paulo chegou a ter 17 mil exames de covid-19 em fila, mas o número já foi zerado. O governo vinha tendo dificuldade com a aquisição de insumos e encomendou testes no exterior para acelerar os diagnósticos. Também foi montada uma rede de laboratórios, que conta com instituições públicas e particulares. 

Testes rápidos deverão ser implementados no Estado até o dia 15 de maio. 

Também nesta quinta, o governo de São Paulo recebeu um lote de mais de 7 milhões de máscaras adquiridas da China.

Fonte:

https://saude.estadao.com.br/noticias/geral,grande-sp-tem-89-dos-leitos-de-uti-ocupados-e-vai-comecar-a-transferir-pacientes-para-o-interior,70003288479

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