DIRETOR DO BUTANTAN NEGA REAÇÃO ADVERSA GRAVE EM ESTES DA CORONAVAC

O diretor-geral do Instituto Butantan, Dimas Covas, afirmou nesta terça-feira (10) que os estudos clínicos da Coronavac não apresentaram reações adversas graves nos voluntários e questionou a forma como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu o andamento dos testes.

“Quando fazemos um teste clínico é esperando que existam reações adversa e efeitos adversos. Essa distinção é importante. Neste estudo que está em andamento, existiram reações adversas, eu mesmo já apresentei esses dados“, disse Covas, em entrevista coletiva.

“Reações que foram leves. Não tivemos nenhuma reação adversa grave. Não tivemos, não temos e continuamos a não ter”, completou. Ele afirmou ainda que considerou a suspensão do estudo clínico uma notícia desagradável, que preocupa os voluntários e causa “surpresa, insegurança, e, até, indignação”.

“Indignação é um sentimento, não um valor, porque o processo da forma como aconteceu, poderia ter sido diferente”, afirmou, ressaltando que o Butantan é responsável por 75% das vacinas usadas pelos brasileiros e preza pela segurança das pessoas que se submetem a estudos clínicos.

O diretor do Butantan disse que durante os testes clínicos pode haver o que é classificado como evento adverso na população do estudo, que são acontecimentos que não tem relação direta com a vacina ou o medicamento em teste.

“As pessoas tem sua vida normal, levantam, vão ao trabalho, ao lazer. Em 10 mil pessoas, podemos ter eventos os mais diversos possíveis. Por exemplo: uma dessas pessoas levanta de manhã e é atropelada depois de sair de casa e morre – não estou dizendo que foi esse o caso. Isso é um evento adverso”, afirmou.

“Estamos tratando aqui de um evento adverso grave que não tem relação com a vacina. Repito: não tem relação com a vacina. Essa informação está disponível para a Anvisa desde o dia 6, quando foi notificado o evento adverso grave. A Anvisa recebeu um documento dizendo: ‘um participante do estudo clínico teve um evento adverso grave não relacionado com a vacina'”, explicou Covas. 

Ele disse que o esperado, neste caso, era que houvesse uma reunião para avaliar as causas do evento, mas isso só aconteceu depois da agência reguladora tornar público a interrupção dos estudos.

“Ontem, dia 9, às 20h40, encaminharam um e-mail ao Butantan dizendo que haveria uma reunião hoje [terça-feira] para tratar do evento adverso grave, mas ao mesmo tempo anunciavam a suspensão do estudo. Vinte minutos depois, essa notícia estava em rede nacional”, afirmou.

“Suspenderam um estudo clínico para causar incerteza, medo nas pessoas, fomentar um ambiente que já não é muito propício, pelo fato de ser [uma vacina] feita em associação com a China. Fomentar esse descrédito gratuito a troco de quê?”, acusou.

Fonte:

https://www.cnnbrasil.com.br/saude/2020/11/10/diretor-do-butantan-nega-reacao-adversa-grave-em-testes-da-coronavac

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