Covid-19 em crianças com fatores de risco

Boletim Informativo
Coronavírus – COVID-19
05/2020

Estudo de caso-controle retrospectivo publicado no Pediatric Infectious Disease Journal avaliou fatores de risco associados ao desenvolvimento e progressão da Covid-19 em pediatria.

O estudo foi realizado em crianças com infecção por SARS-CoV-2 no Hospital Infantil de Wuhan, que era um centro designado para quarentena e tratamento da Covid-19. Foram revisados prontuários médicos de crianças hospitalizadas na enfermaria geral e na Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP) entre 25 de janeiro e 8 de março de 2020.

  • 260 crianças foram internadas no Hospital Infantil de Wuhan naquele período;
  • Oito crianças foram classificadas como graves e 35 classificadas como não graves;
  • A idade média dos casos graves foi de 5,06 anos (IQR 0,97–13,83). Sendo 6 meninos (75,0%);
  • Dos 8 casos graves, 2 crianças apresentavam comorbidade (25,0%);
  • 1 menino de oito anos apresentava leucemia em remissão;
  • 1 menino de 15 anos era obeso, com índice de massa corporal (IMC) de 33,1;
  • A presença de comorbidades não foi um risco para desenvolver um quadro mais grave. Comorbidades foram encontradas em oito crianças do grupo não grave (22,9%) e a probabilidade de doenças subjacentes coexistentes não foi diferente entre os dois grupos (P = 1,00);
  • Nos casos com pneumonia grave causada por Covid-19, os sintomas mais comuns foram dispneia (87,5%), febre (62,5%) e tosse (62,5%). 3 casos graves (37,5%) tiveram sintomas digestivo – vômitos e diarreia;
  • No grupo não grave, 31 (88,6%) apresentaram febre, 31 (88,6%) apresentaram tosse e 8 (22,9%) tiveram diarreia após exposição aos familiares infectados; Nenhuma das crianças do grupo não grave recebeu oxigenoterapia;
  • Todas as crianças graves apresentavam lesões na tomografia computadorizada (TC) de tórax;
  • A duração média da doença dos casos graves, desde o início dos sintomas foi de 3,00 (1,00 a 6,75) dias;
  • O tempo médio de internação foi de 13,50 dias [intervalo interquartílico (IIQ) 12.00–17.30] em crianças graves, maior que a média de internação de 11,00 dias (IIQ 10.00–16.00) para crianças não graves;
  • A maioria das crianças graves se recuperou. Um paciente evoluiu para óbito.

Conclusões

O pequeno número de amostra é uma limitação do estudo. No entanto, os dados já são muito abrangentes, por terem sido realizados no único hospital designado para crianças Covid-19 e, com esse estudo, os pesquisadores puderam identificar alguns fatores que podem estar associados à gravidade em crianças infectadas com SARS-CoV-2.

Logo, para nós, apesar da menor gravidade dos casos, as crianças devem ser protegidas do contato com pacientes positivados.

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