COVID-19 é mais grave em diabéticos

Boletim Informativo
Coronavírus – COVID-19
07/2020

Pesquisadores brasileiros descobriram um dos fatores que levam a Covid-19 ser mais grave em pacientes diabéticos. A glicose elevada no sangue é captada por monócitos (célula de defesa), servindo de fonte de energia extra, e permitindo a replicação maior do novo Coronavírus do que em um organismo saudável. Respondendo ao aumento da carga viral, os monócitos liberam citocinas – proteínas com ação inflamatória, em grande quantidade e, estas causam uma série de efeitos, como a morte de células pulmonares.

O artigo está sendo revisto mas, o trabalho mostra uma relação causa/efeito entre a glicemia elevada, na clínica, e a maior gravidade da Covid-19 em pacientes com diabetes descompensado.

Foi observado na pesquisa, uma grande quantidade de monócitos e macrófagos nos pulmões de pacientes graves de Covid-19, células de defesa e controle da homeostase do organismo. As análises por bioinformática demonstraram que a chamada via glicolítica, que metaboliza a glicose, estava bastante aumentada.

Foi realizada uma série de ensaios com monócitos infectados pelo novo Coronavírus, em que eles eram cultivados em diferentes concentrações de glicose. Em resposta, quanto maior a concentração de glicose no monócito, mais o vírus se replicava e mais as células de defesa produziam as interleucinas 6 e 1 beta e o fator de necrose tumoral alfa, associadas ao fenômeno conhecido como tempestade de citocinas, expondo não só o pulmão, como todo o organismo, a uma resposta imunológica descontrolada, provocando alterações sistêmicas nos pacientes graves e que pode levar à morte.

Foi utilizada uma droga (2-DG) nas células infectadas, para inibir o fluxo de glicose, que bloqueou totalmente o vírus, assim como o aumento das citocinas e da proteína ACE-2 (pela qual o vírus invade as células humanas).

Os estudos mostraram ainda que o mecanismo foi mediado pelo fator induzido por hipóxia alfa I. Como é analisada em diversas doenças, é sabido que essa via é mantida estável, em parte pela presença de espécies reativas de oxigênio na mitocôndria (usina de energia das células).

Os cientistas usaram antioxidantes nas células infectadas e viram que a hipóxia I alfa diminuía sua atividade, deixando de influenciar o metabolismo da glicose, determinava que o vírus parasse de se replicar nos monócitos, as células de defesa infectadas, e não mais produziam citocinas tóxicas para o organismo.

Logo, boas novas mas, ainda em estudos. Por enquanto, manter os cuidados de higiene e evitar contatos com as narinas, olhos e boca, além de todos os outros amplamente divulgados.

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