AS VACINAS NA FRENTE DA RÚSSIA NA CORRIDA CONTRA A COVID-19

Rússia registrou a primeira vacina do mundo contra o novo coronavírus. O registro foi feito na manhã desta terça-feira, 11, após autoridades russas terem afirmado ao longo da última semana que a vacina foi capaz de criar uma resposta imune nos voluntários que participaram da segunda fase de testes clínicos.

A fase que gerou resultados é a penúltima nos testes para uma vacina, faltando ainda a conclusão da fase 3, em que estão vacinas testadas no Brasil, como a de Oxford e a da chinesa Sinovac. Mas a Rússia decidiu registrar a vacina mesmo nesta etapa.

O governo russo afirmou que deve começar a produção em breve. Como ainda não passou pela última fase de testes, a eficácia da vacina russa, feita no Instituto Gamaleya, será comprovada em novos testes clínicos que acontecerão ao mesmo tempo que o começo da vacinação.

Há seis vacinas contra o coronavírus na terceira e última fase de testes clínicos, segundo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) no fim de julho. Três delas têm parcerias para testes no Brasil, tanto nacionalmente como em testes específicos em São Paulo e no Paraná.

Estão sendo testadas no Brasil a vacina britânica da Universidade de Oxford em parceria com a biofarmacêutica AstraZeneca (testada pela Fiocruz) e a da chinesa Sinovac (testada em São Paulo com o Instituto Butantan). Mais recentemente, foi fechada uma parceria com a também chinesa Sinopharm, que tem opções de vacinas feitas em Wuhan e Pequim e serão testadas no Paraná.

Estão ainda na última fase de testes a americana Moderna e a vacina da também americana da Pfizer em parceria com a alemã BioNTech. Ao todo, há mais de 160 tentativas no mundo, incluindo em outras fases de teste.

Também deve começar a fase 3 em breve a vacina da chinesa CanSino Biologics, que fechou parceria para testes na Arábia Saudita. A empresa disse que também está em negociação para os testes em países como Rússia, Brasil e Chile. A candidata da CanSino se tornou a primeira na China a passar para testes em humanos em março, mas as vacinas da Sinovac e da Sinopharm terminaram sendo aprovadas mais rapidamente.

Os próximos passos da vacina russa

No anúncio feito hoje, o presidente russo, Vladimir Putin, disse que sua filha já recebeu uma dose da vacina desenvolvida. “Uma de minhas filhas foi vacinada, tendo participado da fase de testes. Após a primeira vacinação, ficou com 38 graus de temperatura, no dia seguinte tinha 37 graus e pouco. E é tudo”, afirmou Putin.

À rede de televisão americana CNN, o secretário de imprensa do Fundo de Investimento Direto da Rússia (RDIF), que investe em empresas e pesquisas russas promissoras, disse que, uma vez registrada, a vacina já poderá ser aplicada em médicos e outros integrantes do grupo de risco.

Se a vacina der certo, a Rússia ganhará a “nova guerra fria” em busca de uma proteção contra a covid-19. Estudos sobre a eficácia dela devem ser publicados já no final deste mês. Além de aliviar a crise de saúde mundial, que já matou mais de 730.000 pessoas, seria um golpe nos Estados Unidos e no Reino Unido, que recentemente acusaram o país de hackear seus sistemas para derrubar pesquisas sobre vacinas contra a covid-19.

Fonte: https://exame.com/ciencia/as-vacinas-na-frente-da-russia-na-corrida-contra-a-covid-19/

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